Um reencontro, uma cura e uma memória que atravessa décadas

Há histórias que ajudam a contar a trajetória de um hospital. Recentemente, o escritor e paciente Márcio Metzker compartilhou um relato emocionante sobre sua relação com o Hospital Madre Teresa, iniciada há cerca de 60 anos, quando a instituição ainda atuava como sanatório para tratamento da tuberculose.

A seguir, reproduzimos o texto integralmente, conforme enviado pelo autor.

60 anos no Madre Teresa

Por Márcio Metzker, escritor

“A primeira vez que vim ao Hospital Madre Teresa foi há 60 anos, quando era apenas um sanatório de tuberculosos chamado Marques Lisboa. A cidade de Belo Horizonte acabava nos campos de treinamento militar da hoje avenida Raja Gabaglia. Onde está a Assembleia Legislativa era um capinzal e a favela da Barroca, depois havia a grande favela Morro do Querosene à esquerda de uma estradinha de terra e este penhasco onde fica o hospital. Mais nada além.

Eu era o primogênito de seis irmãos. Meus pais, num tremendo esforço para construir uma casa que coubesse tanta gente, passaram a trabalhar em dois empregos cada um. Minha mãe era diretora de escola pública na periferia e pegou um cargo de orientadora pedagógica na Escola Israelita. Acabou adoecendo de tuberculose. Ficou pálida, emagreceu, tossia o tempo todo. Foi internada no sanatório. Meus irmãos menores foram espalhados pelas casas dos tios e ficamos apenas meu pai, meu irmão Marcelo e eu em casa, lendo todos os livros, aprendendo a fritar ovo, abrir lata de sardinha e fazer gelatina.

Meses depois, a saudade de minha mãe era tão grande que o medo de nunca mais revê-la me fez pular na bicicleta e vir procurar este hospital, com um senso de direção que até hoje me surpreende. Cheguei suado e empoeirado ao grande portão de ferro. Existia apenas a rampa que acessava duas grandes enfermarias, algumas salas de procedimentos e consultas, uma capela e um necrotério. O resto eram jardins. Uma freira de hábito negro andava entre os canteiros e veio me atender. Disse que só maiores de 15 anos podiam visitar e só nos domingos. Eu tinha 13.

Chorei tanto no portão que ela se compadeceu de mim e me deixou entrar, instruindo-me como chegar à enfermaria feminina. Fiquei aflito ao não ver minha mãe. As internas disseram que devia estar na capela. Fui na direção indicada e vi uma senhora bem arrumada, corada, robusta, cabelos tratados, vindo pelo caminho. Era ela! Corri para abraçá-la e ficamos umas duas horas contando as novidades. Nunca antes tinha ficado tanto tempo a sós com minha mãe.

Nessa época estava acontecendo uma revolução na medicina, com o uso em larga escala de um novo antibiótico, a estreptomicina, que era eficaz contra o bacilo de Koch, como era chamado a bactéria da tuberculose. E minha mãe foi um dos mais precoces casos de cura, liberada do hospital com pouco mais de 90 dias. O tratamento continuou por meses em casa. Ela tinha que tomar muitos comprimidos grandes, que só conseguia engolir com banana. Viveu mais cinquenta anos, sem nunca mais tossir.

A gente fica com ótima imagem de um hospital que nos devolve viva e saudável nossa mãe. Por isso o Madre Teresa é sempre minha primeira opção, tanto para cirurgias como para tratamentos. Sempre rezo para que não esteja lotado, e lamento quando tenho que ir para outro hospital.

Neste mundo em que a medicina anda cada vez mais mercenária, é reconfortante ver que o Madre Teresa conserva seus princípios e compromissos. É surpreendente a competência e a qualidade humana de seus profissionais. Fiz cirurgias de próteses de titânio e cerâmica nos dois quadris com o Dr. Carlos Vassalo há 12 anos e nunca tive problema algum. Os pneumologistas Dr. Frederico e Dr. Marco Antônio Reis estão entre os mais conceituados do Estado. Afeiçoei-me ao Dr. Marco Antônio e sigo suas orientações até fora da área da Pneumologia. Vida longa para essa fantástica fábrica de saúde!”

Histórias que também fazem parte da trajetória do HMT!

Relatos como o de Márcio Metzker atravessam gerações e reforçam o compromisso histórico do Hospital Madre Teresa com o cuidado, o acolhimento e a excelência assistencial.

Ao longo de décadas, milhares de histórias passaram pelos corredores da instituição: histórias de superação, reencontros, esperança e cuidado humano.

Nosso agradecimento ao escritor Márcio Metzker pela confiança, pelo carinho e pela autorização para compartilhar essa memória tão especial.